"Já que o mundo se encaminha para um delirante estado de coisas, devemos nos encaminhar para um ponto de vista delirante. Mais vale perecer pelos extremos do que pelas extremidades" Jean Baudrillard

sábado, 18 de dezembro de 2010

Tráfico?




segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O que você procura? Um bom debate científico na sociologia brasileira.


Para quem pensa em vir estudar na Grandiosa Universidade de São Paulo – USP e morar no Conjunto Residencial da USP (CRUSP) II

Este é o triste retrato de como a grande Universidade de São Paulo trata os alunos negros, pobres e nordestinos!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

...porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan!

Em algum momento algo precisará ser feito... As colocações estão cada vez mais acirradas. Por todos os meios de comunicação em massa surgem declarações deste tipo. Até quando?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Pomba Gira e a Maria Padilha - Uma reflexão antropológica

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma Presidente!


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Faço doutorado em Paris e voto na Dilma porque...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A sociologia surpreende os incautos...

itshappingnow:1:2:3:4:5:andbusinessjust realized she missed 4-20

Denúncia leva USP a identificar plágio em dissertação de mestrado

Depois dessa, vem muito mais coisa por aí! 
Este é o momento de desconstruirmos a superioridade acadêmica da USP, sacudir a hegemonia dos intelectuais de uma sociologia que não conhece o Brasil, mas ainda assim vive impondo interpretações hegemônicas do Brasil. Lembremos de Miguel Nicolelis quando disseram que ele jamais faria um núcleo de neurociências fora de São Paulo - triste engano! 



20/10/2010 16h48 - Atualizado em 20/10/2010 16h48

Denúncia leva USP a identificar plágio 

em dissertação de mestrado

Tese foi defendida em 2007 na faculdade de geografia.
FFLCH abriu processo para cassar título; polícia investiga o caso.

Fernanda NogueiraDo G1, em São Paulo
A denúncia de uma professora da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) levou a Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) a identificar plágio em uma dissertação de mestrado de geografia. A faculdade abriu um processo disciplinar, no dia 1º de outubro, para cassar o título do autor, após a congregação da faculdade decidir pela retirada do título em fevereiro deste ano.
Alunos meus de iniciação científica me mostraram o trabalho e disseram que ele havia copiado a justificativa, os agradecimentos e a conclusão do trabalho. Fiquei perplexa"
professora Edinusia Moreira Carneiro Santos, da Uefs, que denunciou o plágio
O caso foi denunciado à polícia em abril pela faculdade. De acordo com o 93º Distrito Policial de São Paulo, foi aberto inquérito para investigação de violação de direito autoral. O processo corre na 1ª Vara Criminal do Fórum de Pinheiros.
A tese sobre a região sisaleira da Bahia foi defendida na Faculdade de Geografia da USP em 2007. Segundo análises da FFLCH, o trabalho tem vários trechos copiados do trabalho da professora Edinusia Moreira Carneiro Santos, da Uefs, que defendeu sua tese de mestrado na Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2002. A professora fez a denúncia à USP em julho do ano passado.
“Alunos meus de iniciação científica me mostraram o trabalho e disseram que ele havia copiado a justificativa, os agradecimentos e a conclusão do trabalho. Fiquei perplexa”, disse Edinusia.
De acordo com um dos pareceres elaborados pela FFLCH sobre o caso, há indícios de plágio no resumo e estrutura do índice do trabalho, na justificativa, em capítulos do texto e nas considerações finais. “Em síntese, a denúncia é pertinente. É possível encontrar mais coincidências do que a denunciante indicou, sem, em nenhum caso, desconsiderar e/ou desprezar qualquer uma de suas indicações de plágio. Elas se confirmam, uma a uma, durante todo o mestrado do denunciado”, afirmou o parecer.
Outra análise da faculdade afirma: "Note-se, também, que a obra que é objeto da cópia é citada ao longo da dissertação do estudante acusado, e faz parte da bibliografia de seu trabalho, porém, em nenhum momento o autor registra que os trechos copiados são de autoria alheia - ao contrário, tudo se passa como se fosse escrita de sua lavra".
Segundo a diretora da FFLCH, professora Sandra Margarida Nitrini, o plágio foi comprovado. “Os pareceres foram unânimes. Não há dúvida de que houve plágio”, afirmou.

De acordo com a faculdade, uma notificação sobre a abertura do processo foi enviada por sedex ao autor da dissertação na segunda-feira (18). Sandra disse que esse é o primeiro caso de plágio confirmado na FFLCH.Procurado pelo G1, o autor da tese da USP disse não ter sido notificado oficialmente sobre o caso. “Estão acabando com meu nome. Não tive chance de me defender. Estou me sentindo injustiçado”, afirmou.


O plágio é considerado crime pelo Código Penal, com pena prevista de prisão de três meses a um ano, além do pagamento de multa. Edinusia disse que espera a punição pela universidade. “A questão policial não me interessa”, disse.
A assessoria de imprensa da reitoria da USP afirmou, por e-mail, que o caso está sob responsabilidade da FFLCH.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A inteligência da música popular: a 'autenticidade' no samba e no choro

Para aqueles que vivem de samba em samba pelo Brasil e pelo mundo e que costumam dar explicações rápidas e conclusivas sobre a mítica origem do samba essa tese de doutorado cairá como uma luva. 
Na contramão das interpretações viciadas, que são mais confirmações de preceitos ordinários que análise do samba enquanto um fenômeno social, o autor faz uma percurso minucioso para descobrir, no fundo do mais profundo orgulho nacional corporificado na idéia de samba, um subterrâneo da história da configuração política nacional que, impondo o Rio de Janeiro como centro irradiador de sua força, foi capaz de forjar um símbolo nacional que tenta se furtar à historicização. 
Se o samba tornou-se um ordem, é preciso saber que figuração foi capaz de impô-lo como representação legítima de determinadas pautas emocionais e rítmicas e, mais ainda, quais agentes tem legitimidade para legislar sobre ele.
Tudo isto e muito mais poderá ser encontrado nessa sugestão CBS para os que acompanham o nosso Blog. Aproveitem!




Dmitri Fernandes



Partindo das disputas intelectuais, simbólicas e materiais que enlaçam os dois gêneros musicais chancelados como identificadores da nação, o samba e o choro, analiso a constituição e a reprodução de um microcosmo artístico possuidor de parâmetros estéticos relativamente autônomos. Percorro um longo período histórico no intento de demonstrar que o adensamento de instituições voltadas ao abrigo da música popular enseja uma contrapartida, a do surgimento de engajados que tratam de separar as produções musicais populares entre as que consideram autênticas das inautênticas, grupamento a que denomino de inteligência da música popular. Coube estabelecer sob que condições, quando e por meio da ação de quais personagens conformou-se este microcosmo, espaço que logrou direcionar as apreciações e investidas de todos inseridos na atividade musical popular urbana.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Novidade CBS

A Equipe CBS acaba de criar o primeiro Fórum Virtual da Sociologia Brasileira.
Pedimos a todos que contribuem e participam do Blog CBS que visitem e iniciem os debates.



Os membros poderão propor tópicos para debate. Por ora foram postados alguns tópicos e categorias básicos. Aproveitem!

domingo, 17 de outubro de 2010

Dilma é Muitos!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Distante dos pedantes e distinto dos pedintes...

sábado, 9 de outubro de 2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

MANIFESTO DE REITORES DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS À NAÇÃO BRASILEIRA EDUCAÇÃO – O BRASIL NO RUMO CERTO

Da pré-escola ao pós-doutoramento – ciclo completo educacional e acadêmico de formação das pessoas na busca pelo crescimento pessoal e profissional – consideramos que o Brasil encontrou o rumo nos últimos anos, graças a políticas, aumento orçamentário, ações e programas implementados pelo Governo Lula com a participação decisiva e direta de seus ministros, os quais reconhecemos, destacando o nome do Ministro Fernando Haddad.
Aliás, de forma mais ampla, assistimos a um crescimento muito significativo do País em vários domínios: ocorreu a redução marcante da miséria e da pobreza; promoveu-se a inclusão social de milhões de brasileiros, com a geração de empregos e renda; cresceu a autoestima da população, a confiança e a credibilidade internacional, num claro reconhecimento de que este é um País sério, solidário, de paz e de povo trabalhador. Caminhamos a passos largos para alcançar patamares mais elevados no cenário global, como uma Nação livre e soberana que não se submete aos ditames e aos interesses de países ou organizações estrangeiras.
Este período do Governo Lula ficará registrado na história como aquele em que mais se investiu em educação pública: foram criadas e consolidadas 14 novas universidades federais; institui-se a Universidade Aberta do Brasil; foram construídos mais de 100 campi universitários pelo interior do País; e ocorreu a criação e a ampliação, sem precedentes históricos, de Escolas Técnicas e Institutos Federais. Através do PROUNI, possibilitou-se o acesso ao ensino superior a mais de 700.000 jovens. Com a implantação do REUNI, estamos recuperando nossas Universidades Federais, de norte a sul e de leste a oeste. No geral, estamos dobrando de tamanho nossas Instituições e criando milhares de novos cursos, com investimentos crescentes em infraestrutura e contratação, por concurso público, de profissionais qualificados. Essas políticas devem continuar para consolidar os programas atuais e, inclusive, serem ampliadas no plano Federal, exigindo-se que os Estados e Municípios também cumpram com as suas responsabilidades sociais e constitucionais, colocando a educação como uma prioridade central de seus governos.
Por tudo isso e na dimensão de nossas responsabilidades enquanto educadores, dirigentes universitários e cidadãos que desejam ver o País continuar avançando sem retrocessos, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção, que estamos no rumo certo e que devemos continuar lutando e exigindo dos próximos governantes a continuidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis, assim como na ciência, na tecnologia e na inovação, de que o Brasil tanto precisa para se inserir, de uma forma ainda mais decisiva, neste mundo contemporâneo em constantes transformações.
Finalizamos este manifesto prestando o nosso reconhecimento e a nossa gratidão ao Presidente Lula por tudo que fez pelo País, em especial, no que se refere às políticas para educação, ciência e tecnologia. Ele também foi incansável em afirmar, sempre, que recurso aplicado em educação não é gasto, mas sim investimento no futuro do País. Foi exemplo, ainda, ao receber em reunião anual, durante os seus 8 anos de mandato, os Reitores das Universidades Federais para debater políticas e ações para o setor, encaminhando soluções concretas, inclusive, relativas à Autonomia Universitária.

Alan Barbiero – Universidade Federal do Tocantins (UFT)
José Weber Freire Macedo – Univ. Fed. do Vale do São Francisco (UNIVASF)
Aloisio Teixeira – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Josivan Barbosa Menezes – Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA)
Amaro Henrique Pessoa Lins – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Malvina Tânia Tuttman – Univ. Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Ana Dayse Rezende Dórea – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Maria Beatriz Luce – Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)
Antonio César Gonçalves Borges – Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Maria Lúcia Cavalli Neder – Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Carlos Alexandre Netto – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Miguel Badenes P. Filho – Centro Fed. de Ed. Tec. (CEFET RJ)
Carlos Eduardo Cantarelli – Univ. Tec. Federal do Paraná (UTFPR)
Miriam da Costa Oliveira – Univ.. Fed. de Ciênc. da Saúde de POA (UFCSPA)
Célia Maria da Silva Oliveira – Univ. Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Natalino Salgado Filho – Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Damião Duque de Farias – Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
Paulo Gabriel S. Nacif – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Felipe .Martins Müller – Universidade Federal da Santa Maria (UFSM).
Pedro Angelo A. Abreu – Univ. Fed. do Vale do Jequetinhonha e Mucuri (UFVJM)
Hélgio Trindade – Univ. Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
Ricardo Motta Miranda – Univ. Fed. Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Hélio Waldman – Universidade Federal do ABC (UFABC)
Roberto de Souza Salles – Universidade Federal Fluminense (UFF)
Henrique Duque Chaves Filho – Univ. Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Romulo Soares Polari – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Jesualdo Pereira Farias – Universidade Federal do Ceará – UFC
Sueo Numazawa – Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
João Carlos Brahm Cousin – Universidade Federal do Rio Grande – (FURG)
Targino de Araújo Filho – Univ. Federal de São Carlos (UFSCar)
José Carlos Tavares Carvalho – Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
Thompson F. Mariz – Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
José Geraldo de Sousa Júnior – Universidade Federal de Brasília (UNB)
Valmar C. de Andrade – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
José Seixas Lourenço – Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
Virmondes Rodrigues Júnior – Univ. Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
Walter Manna Albertoni – Universidade Federal de São Paulo ( UNIFESP)



quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Exigência de doutorados torna mais rígidas regras para as universidades

Exigência de doutorados torna mais rígidas regras para as universidadesPDFImprimirE-mail
Publicada por Assessoria de Comunicação Social   
Quarta, 06 de Outubro de 2010 09:52
As atuais instituições de ensino superior, federais e privadas, para manter o título de universidades, devem oferecer, no mínimo, quatro mestrados e dois doutorados. Caso ainda não ofereçam, têm prazo até 2016 para implantar esses cursos. O mesmo prazo vale para os centros universitários e faculdades que desejam alcançar o status de universidade.
É isso que determina resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) homologada nesta terça-feira, 5, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad.
A exigência de oferta de mestrado e doutorado integra uma série de regras que passam a vigorar para o sistema federal de ensino superior, que hoje envolve 144 instituições, sendo 58 federais e 86 privadas. As 37 universidades estaduais e as sete municipais não precisam seguir a resolução, porque elas têm regulamentação própria.
Para que as instituições de ensino superior façam as adaptações previstas na resolução, o CNE definiu um período de transição. As atuais universidades que não atendem ao requisito sobre a oferta de cursos de mestrado e doutorado poderão ser recredenciadas, em caráter excepcional, desde que ofereçam, pelo menos, três cursos de mestrado e um doutorado até 2013. Para essas é obrigatório chegar a 2016 com quatro mestrados e dois doutorados.
De acordo com a secretária de Educação Superior do MEC, Maria Paula Dallari Bucci, o conjunto de regras descritas na resolução complementa o novo marco regulatório da educação superior nacional. Os objetivos, explica, são qualificar a educação superior, estimular as instituições a desenvolver pesquisas e a produzir conhecimento novo. Segundo a secretária de Educação Superior, o prazo de seis anos fixado pelo CNE para o cumprimento das regras é completamente exequível.
O presidente do CNE, Antônio Carlos Ronca, disse que o conselho trabalhou dois anos na definição das regras e que elas são "rigorosas para que não se banalize o conceito de universidade". Nos 14 artigos, a resolução também trata da qualificação dos professores, da jornada de dedicação exclusiva à instituição, além do ritual que deve ser cumprido no credenciamento de novas instituições e no recredenciamento das já existentes.
O artigo 2º da resolução, por exemplo, define que tipo de instituição pode solicitar sua transformação em universidade: os centros universitários recredenciados e em pleno funcionamento há, no mínimo, nove anos; e as faculdades em funcionamento regular há, pelo menos, 12 anos, que apresentem excelente padrão de qualidade. (Ionice Lorenzoni)
Regras básicas da resolução do CNE – Para requerer o credenciamento como universidade, é indispensável que a instituição tenha um terço do corpo docente com títulos de mestrado ou doutorado. Além disso, deve ter:
• Um terço do corpo docente em regime de tempo integral;
• Conceito Institucional (CI) igual ou superior a quatro na última avaliação institucional externa do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes);
• Índice Geral de Cursos (IGC) igual ou superior a quatro na última divulgação oficial do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep);
• Oferta regular de, no mínimo, 60% dos cursos de graduação reconhecidos ou em processo de reconhecimento;
• Oferta regular de, pelo menos, quatro cursos de mestrado e dois de doutorado reconhecidos pelo MEC;
• Compatibilidade do plano de desenvolvimento institucional (PDI) e do estatuto com a categoria de universidade;
• A instituição e seus cursos não podem ter sofrido, nos últimos cinco anos, penalidades descritas no artigo 46 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), Lei nº 9394/1996.
Acesse a íntegra da Resolução e a relação das universidades brasileiras.
Ouça as entrevistas de Maria Paula Dallari Bucci e Antonio Carlos Ronca.
(Fonte: ACS/MEC)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Vale a pena conferir...

Os alternativos de Salvador


James Martins



Certa feita, ali na porta do ICBA (Goethe Institut), no Corredor da Vitória, notei uma menina que me olhava com aquela típica cara de ‘te conheço de algum lugar’. O pior foi que eu tive a mesma impressão. Cara conhecida. Afinal, sem que ela ou eu lembrássemos onde já nos tínhamos visto, a menina resolveu o impasse de forma simples e tranqüila: “É isso mesmo. A gente que é ‘alternativo’ sempre se encontra”. Ao que eu respondi: “Não. Eu não sou alternativo. Eu nasci aqui em Salvador mesmo”. Com cara de quem não entendeu, ela foi embora. Eu também fui. Mas alguém há de perguntar por que estou contando isto. E é porque, de fato, existe uma turma aqui na cidade que sempre se encontra nos mesmos lugares e, com tanta freqüência, que quase compõem uma família. São os ‘alternativos’: uma galera que vai aos shows na Concha Acústica do TCA, ao Porto da Barra, ao Largo da Dinha no Rio Vermelho, Boomerangue, Pelourinho, a certos bares que eu não lembro o nome... e gostam de Jorge Ben, de samba tradicional, Los Hermanos, de bandinhas cover de Beatles, de pastiches da Jovem Guarda, de filmes Cult, malabares, performances e de tudo o mais que esteja vigente na cartilha dos códigos de dignidade intelectual que são distribuídos (tacitamente) no meio. Os alternativos.

Mas o que significa alternativo afinal? E porque os ‘alternativos’ de Salvador se orgulham tanto de o serem (ou assim se proclamarem)? Creio que há um lapsus-linguae na aplicação do termo à determinada turma. Ora, a palavra ‘alternativo’ vem do latim (alter = outro). Logo alter + nativo dá algo do tipo: ‘nascido em outro lugar’. O que eu tentei dizer (perguntar) à minha desconhecida-íntima da porta do ICBA foi: por que é que você quer tanto assim não ser daqui? Basta observar um pouco o gosto e o comportamento dos ‘alternativos daqui’ para perceber que há um narcisismo às avessas em relação à própria origem. Alguém já disse que “o brasileiro ama se odiar”. Chegou a vez dos baianos. Ser alternativo, no nosso caso, significa, precisamente, não fazer parte dessa ralé que gerou aberrações do tipo Axé Music, Pagodão, Praia de Cantagalo, Empuuurra Piatã, Segunda-Feira Gorda da Ribeira, Arrocha, etc. Não pertencer ao mesmo chão, não ter nascido no mesmo lugar que essa gente que fala ‘queimado’ em vez de ‘bala’ e ‘picula’ para ‘pega-pega’. Ser, finalmente, menos baiano e mais inteligente, mais chique, mais bonito, mais paulista talvez, para nem sonhar com Nova York. Mas a cerne do problema está em que os ‘alternativos daqui’ sofrem de uma esquizofrenia agudíssima. E por quê? Ora, por que eles querem fazer o outro (alternativo tem o sentido de não convencional, outra opção, excentricidade, ousadia) com o mesmo, com o centro, com o majoritário. É preciso lembrar que a Bahia é um centro em si, mas é também uma periferia. Numa lógica mundial, o som do Psirico é muito mais alternativo que o do Radiohead.

E aí está a esquizofrenia: por mais que a ‘minoria de massa’ tente escapar do populachão em nome do bom gosto e dos chamados caminhos alternativos, quando alguém consegue qualquer resultado artístico-filosófico-comportamental de relevância por aqui, pode saber: “a Bahia tá viva ainda lá”. Foi assim com a Orkestra Rumpilezz, por exemplo. E aí acontece o incrível: os ‘alternativos daqui’ aderem de bom grado a esses resultados, mas sem compreender (nem aceitar) a fonte deles. O que gera distorções na apreciação e na formação das sensibilidades e dos discursos. A fonte, é bom que fique bem claro, é exatamente aquilo que os ‘alternativos daqui’ detestam: o que vem lá de baixo, da baixaria, de dentro, abaixo do nível do pré-sal, o que vem debaixo do barro do chão, o nativo. Orgulho-me de ter escrito: “se a periguete anda com o fio todo enfiado / nossa conexão é wireless”. O problema é que os membros do clube alternativo de Salvador são rasos. Ou melhor: exibem aquela profundidade de que Nelson Rodrigues diria que qualquer formiguinha atravessa com água pelas canelas. Para mim é muito significativo o fato de nunca ter visto ninguém do referido clubinho em um ensaio do Afoxé Filhos de Gandhi, por exemplo, nem no Alvorada. Eles, que enchem a boca pra falar de tradição, mas só freqüentam baladas e badalações. Faça uma festa no Ilê Axé Opô Afonjá Fashion e divulguem no segundo caderno de A Tarde que vira um formigueiro de alternativos desembarcando direto do Vale do Capão. É assim que a banda toca.

Citei o tradicional bloco de carnaval Alvorada, o que me lembrou o novo reduto dos ‘alternativos daqui’: um samba tradicional light que acontece nas últimas sextas-feiras do mês no Largo de Santo Antônio Além do Carmo. É quase a mesma idéia da herdeira do Grupo Iguatemi para o bairro, mas com sandálias de couro. Costumo me referir ao evento como ‘Reserva de Proteção Ambiental do Samba’ e cito-o aqui por ser emblemático do perfil mental do clubinho citado, ao qual a menina do início deste texto tentou me filiar. O samba da reserva ambiental do Santo Antônio é samba mas não é samba. Traduzindo: é uma versão penteada, domada, desengordurada, intelectualizada do samba a partir de sua consagração como produto artístico genuíno das massas etc. etc. É o samba lavado de seus elementos pestilentos essenciais para ser vendido como coisa boa, bonita, cult e joiada para um público de estômago fraco. Um sintoma de fácil verificação: ninguém samba e ninguém sabe sambar. O que se cultiva e consome ali é justamente a idéia, ela mesma, o status, de que o samba é uma música de qualidade e refinamento (sic). Sendo ‘qualidade e refinamento’ tudo aquilo que não se pode confundir com os ademanes grosseiros dos ‘baixo-astral’, das ‘periguetes’, dos pagodeiros... Enfim, do samba. Se o Psirico aparecer por lá será enxotado a pauladas. Se o samba aparecer por lá sem maquiagem ou brucutu será barrado. E o resultado é uma música estanque, conservadora, resguardada e artificial embalando mentalidades e sensibilidades idem. Uma analogia são as catedrais que a igreja católica ergueu em nome de cristo, mas precisou, para isso, forjar um outro cristo, pacato, pregado e conservado na cruz. Um que não fugisse ao seu domínio e privilégio. Um cristo-samba onde não cabia mais o samba-cristo original, por demasiadamente inquieto e destrutivo. Não-institucionalizável. Assim, o samba da reserva ambiental do Santo Antônio é uma missa. Mas vamos profetizar: daqui a mil anos, quando o som dos inventores de hoje estiver entronizado pela intelectualidade e pelos tratados de sociologia, os ‘alternativos daqui’ também saudarão: Ave Márcio Victor!

Mas eu falei no Alvorada e não concluí. Bom, no último dia 15 de setembro, na Câmara Municipal, o presidente do divino bloco, Vadinho França, recebeu a comenda Zumbi dos Palmares. Uma noite de festa para os amantes do samba na Bahia, evidentemente. O Alvorada é tradição e amor pelo samba desde 1975. Mas eu não vi nenhum freqüentador da ‘reserva ambiental’ na festa. Acho mesmo que eles nem sabem o que significa o Alvorada e talvez sequer tenham ouvido falar na agremiação. Eles não são daqui, marinheiros sós. Em compensação, encontrei Roberto Mendes, Riachão, Cumpádi Washington e o povo da Bahia. Todos nós reunidos para reverenciar o querido Vadinho (o presidente de bloco que desce do trio pra sambar). Ainda existe gente séria nesta terra, graças a deus. Eu, que já bradei contra a baianidade excessiva, não posso me calar contra a anti-baianidade doentia. Alternativo (o não convencional, a contracultura), para mim, é o Chef Beto Pimentel, do restaurante Paraíso Tropical que, a partir da culinária local, mutilando-a e amamentando-a, cria sabores requintados e maravilhosos, numa relação dialética com a sabedoria gastronômica popular desenvolvida com ciência, capacidade e nenhuma pose. A base é uma só. Alternativo é Morotó Slim sondando a guitarra baiana. Alternativo é Aldo Brizzi e Reis. Alternativo foi o projeto Música no Boqueirão, de Dimitri Ganzelevitch. É o samba da minha terra que deixa a gente mole. Alternativo é o que responde ao regional com o universal, ao estrangeiro com o local, ao coletivo com o individual, ao centro com a periferia. O que, enquanto vai com os cajus, já volta com as castanhas. O resto é só burrice mesmo. Ou doença no pé.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Enquanto isso...

O genial estudante de pós-graduação pensa sobre a sociologia brasileira...
speakinthunderclaps:mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Lançamento Caosmosis: Mezzadra, Sandro et alli - Estudios postcoloniales:Ensayos fundamentales

Um Repost Importante!

Adeus a Vivaldo da Costa Lima


James Martins


Morreu na manhã desta quarta-feira (22), o antropólogo Vivaldo da Costa Lima, um dos mais importantes intelectuais do Brasil (nota sobre a morte aqui). Professor emérito da Universidade Federal da Bahia e Obá de Xangô do Ilê Axé Opô Afonjá, Vivaldo conhecia a vida baiana como poucos. E não de ouvir dizer. Embora fosse também um grande ouvidor. Solucionemos: conhecia de ouviver. O professor era um grande jogador de dominó e (segundo Mário Kertész) um grande cozinheiro. Pioneiro, foi um dos fundadores do CEAO (Centro de Estudos Afro Orientais) e um dos primeiros intelectuais brasileiros a visitar a África em busca de nexos e ressonâncias entre as coisas daqui e de lá. Comandou também a recuperação do Centro Histórico (Pelourinho), como diretor do IPAC. Uma de suas obras mais lembradas e citadas é ‘A Família de Santo nos Candomblés Jejes-Nagôs da Bahia’. Escrevia com sabor e com saber. Seus livros ficam. E o seu nome segue escrito ao lado de outros enormes, como Édison Carneiro, Nina Rodrigues, Arthur Ramos e Waldir Freitas Oliveira, desbravadores dos estudos africanistas entre nós.

Por falar em Waldir Freitas Oliveira, estive com ele na última terça (dia 21/09), para uma entrevista, e perguntei do Vivaldo. “Está na UTI”, respondeu. “Jura?!? Que triste”, retruquei. Nota: Vivaldo estava bastante doente há algum tempo já, mas eu sempre soube que havia também algo de simulação nas suas lamentações, truque para emoldurar o humor inconstante. Mas não se simula uma UTI. O professor WFO continuou falando: “Mas deve deixar a UTI e passar ao apartamento ainda hoje. Vou ligar depois para saber dele”. Cheguei em casa e comentei com minha mulher: “Vivaldo está na UTI. Vou escrever um texto-homenagem a ele, ainda em vida, porque ele merece e é capaz de morrer nos próximos meses”. No dia seguinte, chegou a morte. Triste. Sempre quis fazer uma entrevista longa com Vivaldo da Costa Lima. Uma entrevista que passasse em revista toda a sua vida e sua atuação nas trincheiras da antropologia e da cultura baiana em geral. Cheguei a fazer a proposta e ouvi uma resposta que me encheu de orgulho (notem que, à época, eu nunca tinha sequer visitado uma redação de jornal): “Sim, meu filho, eu não gosto dessas coisas, mas para você eu faço porque confio na sua inteligência”. Pausa. Emendou: “E também pela nossa amizade”. Mas é possível que tenha sido apenas uma gentileza. Tanto que a entrevista nunca saiu. Convidei Carlos Pronzato para filmar e Arto Lindsay para conversar com Vivaldo junto comigo. Chegamos a esboçar um roteiro, Arto e eu. Mas a saúde de Vivaldo (e o humor) nunca permitiu a marcação da aguardada data. 

Com aquela entrevista-documentário eu pretendia, entre muitas outras coisas, alfabetizar os baianos de minha geração em Vivaldo da Costa Lima “and environs”. E não deixava de ser simbólico que os parceiros que escolhi fossem dois gringos. O ogã Vivaldo da Costa Lima, autor de estudos brilhantes sobre a comida-sacrifical, seu cavanhaque atrevido, seu modo agridoce de cumprimentar, sua cachaça, seu prato de mini acarajés na beira da praia e da mesa de dominó, era também o ouvinte atento de Chet Baker e Bartók (preferindo este aos compositores de Viena por considerá-lo mais melódico), admirador das ousadias das vanguardas, leitor dedicado de Marcel Proust. Respeitado nas universidades e nos terreiros de candomblé. No ano passado, em entrevista, citei seu nome a Mãe Stella de Oxóssi. E a venerável Iyalorixá exclamou: "Ave Maria! Tá vivo aí e eu peço a Ogum todo dia que segure ele na terra, que ele é uma figura ímpar no candomblé e na sociedade, por que é um grande professor". Ogum o tenha. Vivaldo era um homem baiano, de Feira de Santana, formado em odontologia, mas que abandonou a profissão. Verger o coloca como símbolo de humanista. Por sua causa tomei contato com a obra do 'xilo-inovador' Hélio Oliveira. Com sua morte, a Bahia perde, sem dúvida, um mestre e um amigo (o homem e o acadêmico: gêmeos). E, por coincidência, tão perto do dia de Cosme e Damião, aos quais dedicou o seu último livro publicado ('Cosme e Damião - o Culto aos Santos Gêmeos no Brasil e na África, Corrupio, 2005'). Os homens de bem desta terra dão adeus ao compadre. 

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Serviço Completo CBS: Livro + Aula

A sociedade de corte: investigação sobre a sociologia da realeza e a aristocracia da corte. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.


Áudio da aula do Prof. Sérgio Miceli sobre a obra A Sociedade de Corte
(Curso Ministrado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da USP)





quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Polícia Civil fecha “xerox” na Praia Vermelha - II

Atitudes desesperadas como esta não terão efeito diante da profunda democratização no acesso a bibliografias. Como aconteceu em relação ao compartilhamento de músicas, muito em breve teremos livros em diversos idiomas e um vasto material histórico completamente digitalizado e acessível com pouco mais de alguns cliques. 

Sites que comandam a digitalização no Brasil:





Complexidade de um mundo carente de inteligibilidade sobre suas próprias questões...