"Já que o mundo se encaminha para um delirante estado de coisas, devemos nos encaminhar para um ponto de vista delirante. Mais vale perecer pelos extremos do que pelas extremidades" Jean Baudrillard

quarta-feira, 31 de março de 2010

TILLY, C. (1996), Coerção, Capital e Estados Europeus. São Paulo, Editora da USP.

De posse do desfecho – parcial – do processo histórico de formação dos estados nacionais europeus, tal como eles se apresentam na atualidade, Charles Tilly investigará, dentro de uma longue durée (longa duração), a explicação para a variabilidade dos estados europeus a partir de 990 d.C. até os dias atuais; e como eles terminaram por convergir numa mesma direção. Sempre atentando que aquele resultado histórico parcial é proveniente de conseqüências não planejadas de agentes históricos durante um longo processo de avanços e retrocessos. E, não menos importante, os estados tal como conhecemos hoje não podem ser considerados, de modo algum, a forma “mais evoluída” ou de “melhor funcionamento” ao longo do processo histórico.


Para Tilly, as respostas disponíveis para esta questão seriam insuficientes, uma vez que oscilam entre o tratamento específico de cada estado como foco principal; ou análises geopolíticas que falhariam nos mecanismos escolhidos para vincular os estados em um determinado sistema internacional; ou ainda, aquelas que derivam suas explicações mediante o recurso a um modo determinado de organização da produção (feudalismo, capitalismo, etc.). Através de um diálogo expressivo com uma vasta bibliografia da história de formação do continente europeu, Tilly tem como ambição combinar as diferenças históricas nacionais com modelos sociologicamente heurísticos de análise que permitam comparações válidas entre os diferentes desenvolvimentos históricos, esperando obter “uma história que oscile entre o algo particular e o extremamente geral” ou, ainda, caminhar pela “vereda estreita entre o acaso e a teleologia”, uma vez que as trajetórias da historia da formação do estado são “múltiplas, mas, não infinitas”.

Sua proposta possui, portanto, quatro motes analíticos em relação aos diferentes grupos que produziram os estados nacionais modernos: a concentração do capital, a concentração da coerção, a preparação para a guerra e a posição de cada um deles dentro do sistema internacional. Cada uma destas ações deverá ser pensada em relação aos diferes atores que as executam, pois mesmo quando trata de grandes grupamentos como “cidades-estados” ou “impérios”, Tilly não negligencia que são as interdependências entre as pessoas o substrato último que possibilitam a existência daqueles mesmos grupamentos. 



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terça-feira, 30 de março de 2010

Mayhem

Experiência visual e violência numa página diferente.

http://www.mayhem.net/

A Paralisia do Sociólogo

Aqueles que não sabem fazer sociologia, fazem a sua história, produzem romances intelectuais sobre seus autores ou criticam a metodologia dos que a fazem mediante uma espiral sem fim de referências. Hoje, no mundo intelectual do Brasil, a última alternativa para o intelectual burguês que se quer fazer sociólogo é aprender três ou quatro idiomas, em “centros de cultura estrangeira”, fazer algumas viagens estratégicas com verba pública, e passar o resto da vida “tendo acesso aos originais” a fim de garantir alguma visibilidade dentro dos congressos e dos debates.  Vez ou outra, alguma tradução é homeopaticamente expurgada para que os servos da sociologia se deleitem com a erudição – estéril – do Grão-vizir: aquele que tudo sabe, mas nada faz.
Enquanto isso, problemas urgentes são delegados aos nossos colegas Economistas, Jornalistas e Juristas: aqueles que tudo fazem, mas nada sabem.
Fonte: http://blogdonetmind.com/blog/wp-content/uploads/2007/09/escher-flickr.jpg

domingo, 28 de março de 2010

TJ-SP anula concurso para professor da USP


O TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) determiniou a anulação de concurso realizado pela USP (Universidade de São Paulo) para preenchimento da vaga de professor doutor junto à Divisão de Difusão Cultural do Museu de Zoologia da universidade, realizado em 2007. A sentença, de 22 de fevereiro, determina a realização de novo concurso público.
A ação, ajuizada pelo advogado José Jerônimo Nogueira de Lima, visa a anulação do concurso público devido ao que ele alega como um vício na composição da banca examinadora. O presidente da banca teria sido orientador no curso de doutorado realizado pela candidata selecionada.
No entendimento do juiz Rômolo Russo Júnior, da 5ª Vara de Fazenda Pública do TJ-SP, descrito na sentença e o que foi traduzido pelos inúmeros conselheiros que se manifestaram na oportunidade do Conselho Universitário, "pelos 27 votos favoráveis a candidata vencida, foi gerado um relevante espanto na desconfortável circunstância do fato relacionado ao presidente da banca ter sido orientador da candidata vencedora, o que, à evidência, e na raiz, em tese, lhe retira a imparcialidade".
De acordo com as circunstâncias apresentadas, o juiz julgou procedente a ação e determinou a anulação do concurso com a composição de nova banca examinadora, ressaltando que esta é a única forma de manter intacto o respeito aos princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa.

domingo, 21 de março de 2010

Em defesa do doutorado no exterior

Existe uma discussão ganhando força sobre a validade do Brasil mandar alunos para fazer o doutorado no exterior. Existem muitos argumentos pró mandar jovens cientistas para o exterior assim como existem muitos argumentos contra. Neste texto, vou falar um pouco sobre a minha experiência no exterior e por que acho que ela valeu muito mais do que o dinheiro gasto pelo governo.
Eu fui aluno de doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra) de outubro/2003 a setembro/2007. Nestes 4 anos, me especializei em ritmos circadianos de plantas, tópico de pesquisa praticamente inexistente no Brasil. Além disso, publiquei um artigo na Science, um na Plant Cell, uma carta na Nature além de mais três revisões e dois capítulos de livros. Me considero, pois, um caso de sucesso.
Obviamente não posso usar uma experiência pessoal para justificar um programa inteiro de fomento ao doutorado no exterior. A combinação de fatores que explica minha trajetória lá fora dificilmente podereia ser replicada repetititvamente. No entanto tenho que dizer enfaticamente que o que mais aproveitei da minha estadia no exterior não foi o engordamento do meu currículo: foi a mudança de visão de mundo resultante da minha exposição um mundo acadêmico diferente do brasileiro.
Durante meus anos na Inglaterra, pude ver laboratórios funcionando de forma totalmente diferente dos laboratórios brasileiros. Vi Departamentos organizados de formas novas, muitas mais eficientes. Lá de longe, tive a oportunidade de discutir Ciência com cientistas de culturas diferentes e com filosofias distintas da minha: de longe, também é mais fácil fazer uma auto-crítica de nossa Ciência. Este tipo de experiência, que não pode ser medida, me fez um profissional mais maduro, mais consciente do lugar da Ciência brasileira, de seus problemas e de suas possíveis soluções. Posso dizer com certeza que esse tipo de mudança nunca teria acontecido se continuasse no Brasil. Também não aconteceria se eu passasse apenas um ano lá fora.
Alunos de bolsa doutorado sanduíche, que passam um ano no exterior mas fazem o doutorado predominantemente no Brasil, não fazem parte da estrutura das Universidades que participam. Na minha experiência, eles fazem sua pesquisa mas não têm a oportunidade de ver com detalhe o funcionamento das insituições que visitam. A interação com os alunos também é diferente: você é alguém de fora e não um deles. Bolsas-sanduí ches, na minha opinião, podem trazer os artigos científicos mas não são tão boas para trazer novas visões de mundo.
E por que novas visões de mundo são importantes? Porque elas diversificam o pensamento acadêmico no país. Elas trazem novas idéias, novos ideais. As Universidades sobrevivem disso! Uma Universidade que não busca se inovar, que se fecha para novas idéias, caduca, se degrada e perde o seu sentido na comunidade! Para evitar isso é necessário mandar jovens pesquisadores para todos os locais do mundo e para todos os locais do país.
Outro fator de uma miopia incrível é a exigência de se voltar ao país após o doutorado. Veja só: após o Brasil me financiar por quatro anos, pagando pelo meu aperfeiçoamento, a Inglaterra estava disposta a me manter por mais três anos. Uma maneira é pensar que eu produzia artigos científicos para a Inglaterra e não para o Brasil por mais três anos (cabeça de planilhas). Outra maneira é pensar que minha formação, como jovem pesquisador brasileiro, seria paga por estrangeiros!
Muitos devem ter pensado: mas daí você nunca mais iria voltar! Será? E se eu não voltasse, seria "um desperdício do dinheiro investido em mim"? Dificilmente. Se eu não voltasse, isso significaria que eu estaria fazendo sucesso no exterior. Isso abre portas para a pesquisa brasileira lá fora. Um colega que precisasse de uma colaboração no exterior teria um ponto de contato para acertá-la. Meu orientador disse que o departamento teve receio de me aceitar porque não sabiam da qualidade dos pesquisadores brasileiros mas que, depois da experiência que tiveram, estariam mais abertos para trazer mais jovens cientistas do Barsil, inclusive usando dinheiro deles. Achar que só pesquisa feita por brasileiros no Brasil valoriza o país é míope e revela um provincianismo danoso para as pesquisas no país. E não é necessário citar o caso do Dr. Nicolelis para dizer que muitos cientistas brasileiros no exterior buscam formas de ajudar pesquisadores no Brasil.
Outra desculpa usada para se cortar as pesquisas no Brasil é a tal fuga de cérebros. O que estas pessoas não percebem é que a pior fuga de cérebros que acontece atualmente é a dos jovens pesquisadores brasileiros desistirem da Academia! Quantos cientistas excelentes deixam de fazer pesquisa por falta de emprego ou falta de bolsas? Aposto um braço que este número é muito maior e muito mais assustador do que os cientistas que se refugiam no exterior. Mas é muito mais fácil dizer que é caro demais mandar gente para fora, é muito fácil dizer que somos auto-suficiente nas pesquisas. Balela! Ciência não é uma atividade regional. É uma atividade internacional! Temos que formar gente aqui E lá fora. Temos que fazer pesquisas relevantes para o país E para o mundo!
Eu voltei para o Brasil para realizar o meu pós-doutorado. Eu voltei e não me arrependo de tê-lo feito, principalmente porque vi o abismo que existe entre a pesquisa feita no exterior e a feita no Brasil (digo, em média). E digo que grande parte deste abismo não vem da carência de dinheiro (falta de dinheiro sim é um problema mas não nos tornaríamos uma potência científica se tivéssemos mais) mas sim da visão de mundo míope de muitos de nossos cientistas que, por diversos motivos, ainda tentam fechar as portas da Ciência do Brasil para o resto do mundo.
UPDATE: me esqueci de linkar, mas essa discussão foi provocada por uma cutucada do MHL
Carlos Hotta.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Na semana passada acreditei ter visto um psicanalista que não lembro a nacionalidade, mas muito famoso, citar isto aqui...

Trata-se de se tornar ciente do fato de que o nome do mestre é um fetiche e de descrever as condições sociais da possibilidade do personagem do artista enquanto mestre, isto é, enquanto produtor deste fetiche que é a obra de arte. Em suma, trata-se de mostrar como se constituiu historicamente o campo da produção artística que, enquanto tal, produz a crença no valor da arte e no poder criador de valor do artista. E assim seria possível fundamentar o que colocamos inicialmente, como um postulado metodológico, a saber, que o "sujeito" da produção artística e de seu produto não é o artista, mas o conjunto de agentes que têm uma ligação com a arte, que se interessam pela arte, que vivem da arte e para a arte, produtores de obras consideradas como artísticas (grandes ou pequenas, célebres, isto é, celebradas, ou desconhecidas), críticos, colecionadores, intermediários, conservadores, historiadores da arte, etc. É isto. O círculo se fechou; e nós ficamos presos dentro dele. (Bourdieu, P. Questões de Sociologia, p.172)



Ce que les savants pensent de nous et pourquoi ils ont tort - Pierre Verdrager

segunda-feira, 1 de março de 2010

Hyper! Catálogo Mundial de Obras









Site de filmes via Torrent

Este site é o melhor em sua categoria. Todos os torrents estão organizados por diretor e depois por ano.
Vale a pena conferir!


Complexidade de um mundo carente de inteligibilidade sobre suas próprias questões...